MGS Phantom Pain Review - Parte II

O maior soldado do Século XXI

Mais importante de tudo é que você é livre para resolver estes quebra-cabeças do jeito que você quiser por conta da flexibilidade da jogabilidade de Phanton Pain. A transição entre os elementos de furtividade (stealth) e não ser nada discreto está bem mais orgânica do que nos MGS anteriores, e ser mais agressivo nunca dá a sensação de estar "errado" do mesmo modo do que em outros jogos do gênero. Caso você for visto por algum inimigo, você ganha alguns segundos de câmera lenta (chamada de Reflex Time) para dar conta deles silenciosamente e evitar um alerta de todo o esquadrão. Esta habilidade não só cria um momento tenso mas legal de assistir, tal qual um filme, mas lhe dá total liberdade de tomar riscos calculados com espaço para erros que, mesmo assim, são incríveis.

Mesmo quando você perde todo o controle, a missão progride. Sua missão de infiltração cuidadosamente planejada pode se transformar em uma perseguição a cavalo para capturar um alvo em fuga ou em um encontro contra uma artilharia inimiga sem nenhuma munição, mas "sair do roteiro" não é significado de falha ou de frustração.

O fato de que não dói nada experimentar e ser um pouco (ou até extremamente) agressivo torna incrível a ideia de jogar com os muitos brinquedos que Phantom Pain fornece. Eu posso chamar um helicóptero totalmente equipado para um suporte aéreo, indicar alvos para um ataque massivo com gás sonífero ou convocar um walker de combate customizado jogado pela mesma aeronave para eliminar todas as forças adversárias. Os combates armados são responsivos, diretos e fazem tudo da maneira certa que, diferentemente de Ground Zeroes, eu posso usar todas as minhas armas sem culpa que não perderei pontos nas minhas missões.

Isso, no entanto, não quer dizer que dá para jogar que nem um maníaco com o dedo sempre no gatilho sem levar penalidades, porque elas certamente existem -- graças ao fantástico sistema de gerenciamento de sua base militar, a Mother Base, que é de longe bem mais profundo e detalhado do que eu poderia imaginar. É, em essência, a realização completa das excelentes ideias plantadas por Metal Gear Solid: Peace Walker. Da Mother Base, você administra a equipe de construção e as necessidades de Pesquisa & Desenvolvimento (R&D) do seu grupo mercenário, os Diamond Dogs. Cada soldado que matei e cada caminhão que explodi sem misericórdia é um potencial perdido. Em outros jogos, postos de soldados inimigos são repletos de alvos a serem eliminados, mas em Phantom Pain eles se tornam oportunidades para se coletar recursos e novos recrutas.

Como não deixaria de ser, custa muito dinheiro, força humana e materiais para se administrar uma corporação militar privada de sucesso. Há um número impressionante de armas, equipamentos e habilidades para destravar para o jogador, além de veículos e personagens de suporte ao longo da história da campanha -- e muitos exigem que você realize ou esteja em determinadas situações para consegui-los. Você precisa recrutar soldados conforme suas habilidades para que você tenha sucesso, enviar grupos de combate bem formados para missões paralelas para que o dinheiro sempre entre em caixa, além de direcionar recursos como você faria em uma missão de X-COM. A quantidade de opções a escolher e de decisões a fazer não são o que mais impressiona -- é o fato de que tudo isso tem um impacto relevante e significativo quando você vai para o campo de batalha.

É gratificante quando você dá missões para novos soldados em todas as diversas opções existentes na minha base, o que é tão bom quanto olhar o saldo bancário da base. Mas, por exemplo, quando meu time de R&D me dá uma nova versão da minha arma favorita ou quando eu mudei minha equipe para a de suporte e logística (o que me deu acesso a uma artilharia anti-aérea), fiquei feliz que gastei parte do meu tempo com isso. A porta abre para os dois lados: assim como essas decisões se tornam tangíveis no campo de batalha, as decisões que eu tomo durante a missão têm influência no que acontece na base.

Gerenciamento de recursos é, de fato, a alma deste mundo aberto, dando razão de ser aos espaços interconectados das infiltrações. Enquanto as bem pensadas estruturas de sandbox de Phantom Pain fornecem a liberdade para passar sem ser percebido por pequenos postos de soldados na rota para meu objetivo principal, eu raramente fiz isso. Até porque, estes guardas podem ter informações vitais, e eles, com certeza, não vão se interrogar sozinhos. Eles podem saber a localização de um caminhão de suprimentos que eu posso roubar e seguir até a próxima base sem ser notado, ou eles podem me dar pistas de onde está um especialista em armas para eu resgatar. Claro, isso me faria sair de meu caminho, mas eu finalmente poderia fazer minha equipe trabalhar em um novo rifle sniper que eu tanto queria. Isso mostra como os muitos sistemas de Phantom Pain se relacionam entre si, elevando o gameplay para um outro patamar.

#PC #XboxOne #Playstation