MGS Phantom Pain Review - Parte III

Entretanto, enquanto os sistemas de gameplay de Phantom Pan são muito ricos e densos, em comparação, sua história parece sem substância e subdesenvolvida. Ela começa com confiança, com o diretor Hideo Kojima pronto para nos fazer embarcar em sua fantasia high-tech de ação militar que Metal Gear tem nos mostrado nas últimas duas décadas. A abertura espetacular estabelece o clima e uma série de perguntas relacionadas ao enredo levam de 30 a 60 horas para serem respondidas (dependendo das respostas que você esteja procurando, ou do modo no qual você joga). Geralmente, estas respostas são rápidas e insatisfatórias demais, faltando uma melhor construção ou relevância temática.


Sem dúvidas, isso é decepcionante para uma série conhecida por explorar sua história, algumas vezes de forma atrapalhada ou exaustiva. Entretanto, Phantom Pain explora tópicos como o preço da vingança, crianças-soldados e tortura, mas não tem nada a dizer sobre nenhum deles, a não ser confirmar que eles existem. Felizmente, o jogo nunca me fez perder meu tempo fingindo explicar mais, já que as cenas animadas são esparsas e rápidas para que eu pudesse voltar a jogar logo. Por mais legal que possa parecer, eu prefiro ter aquele "problema" de Guns of the Patriots, em que havia "muitas" cenas incríveis e reviravoltas.


Por que tão Quiet?

Os elementos de história de Phantom Pain, apesar dos pesares, são bem produzidos, com belas cenas cinematográficas e boas atuações do elenco, inclusive de Keifer Shutherland, que não tem muito a fazer como Big Boss, infelizmente. Seu inexplicável silêncio, até mesmo nas cenas mais cruciais próximas ao final do jogo, vão além do mero estoicismo e são positivamente chocantes. Quase não há papo furado pelo Codec, batalhas cheias de clima e de marra contra chefes ou momentos inesquecíveis de personagens como ocorria nos Metal Gears do passado. Todo mundo parece existir apenas para entrar solenemente em cena, passar alguma informação e ficar ali parado de forma dramática.

"The Phantom Pain tem Quiet como uma das personagens que auxiliam Big Boss durante sua jornada".

A única exceção parece ser a franca atiradora Quiet, cujo calor, sinceridade quase infantil e ferocidade no campo de batalha a fazem roubar todas as cenas em que aparece. Sua visível falta de roupas rebaixa um pouco essas qualidades: um momento específico mais adiante no jogo ocorre de forma um pouco incômoda justamente por causa do uniforme da personagem. Ela poderia ter sido vestida como um soldado genérico e ainda teria sido o personagem mais interessante do jogo -- o fato de ela também ter sido feita como um objeto sexual é algo decepcionante.

É supreendente, contudo, como a história rasa de Phantom Pain impactou minha experiência com ele. É quase como ter dois jogos separados, história e gameplay, o que significa que os momentos mais interessantes serão aqueles que você mesmo orquestrou. Mas com o game facilitando a criação destes momentos, ficou difícil para mim ter esta sensação. Dentro de uma década, eu duvido que terá uma única missão que eu vá dizer "lembra quando eu fiz aquilo", mas eu poderia encher um livro com histórias de como eu lidei com uma missão indo pelo sul, ou como consegui elaborar rapidamente um plano que realmente funcionou como eu tinha planejado. Este é o menos "autoral" dos Metal Gear, mas é o mais focado no jogador, e eu prefiro mil vezes relatar a história da minha fuga com o helicóptero do que qualquer outro evento previamente roteirizado do jogo.

Mas o game não termina quando você conclui todas as missões. Phantom Pain ainda tem camadas mais profundas para serem aproveitadas com seu modo online, o Foward Operation Base (FOB), que permite a você construir fortalezas adicionais em sua Mother Base. Você aloca recursos, homens e defesas com tudo o que coletou para proteger suas instalações de invasores online. Você também pode invadir as bases de outros jogadores para coletar recursos e soldados de alto nível, mas o mais importante é pegar ogivas nucleares. O tema principal do FOB é a proliferação de armas nucleares, no qual você pode construir um grande depósito de bombas ou roubar e desarmar as de outras pessoas. Eu tive apenas poucas horas para brincar com isso, mas, até agora, este modo é um incentivo a continuar jogando Phantom Pain mesmo depois de terminá-lo.


O veredicto

"The Phantom Pain não apenas respeitou minha inteligência como jogador: ele tem expectativas para comigo, elevando-se a um patamar que poucos outros games vão ocupar"


Metal Gear Solid 5: The Phantom Pain é o tipo de jogo que eu pensei que nunca existiria -- um que cada minuto de partida tem um verdadeiro propósito. Sua falta de foco na história o torna um divisor de águas para o que conhecíamos de Metal Gear, mas a ênfase no seu enredo o torna o meu favorito jogo de Hideo Kojima até hoje. Certamente existem outros games de mundo aberto que me deram ambientes maiores para explorar, ou mais ícones para eu caçar no mapa, mas nenhum deles me obrigou a planejar, adaptar e improvisar como este jogo. The Phantom Pain não apenas respeitou minha inteligência como jogador: ele tem expectativas para comigo, elevando-se a um patamar que poucos outros games vão ocupar.


Nota: 10


Pontos positivos: jogabilidade sandbox excepcional, complexidade significativa, furtividade flexível, muitos gadgets e habilidades.

Pontos negativos: história rasa.

#PC #XboxOne #Playstation