NVIDIA RTX 30 Super seria uma resposta à Intel ou à AMD?



Historicamente, a série Super da NVIDIA foi algo fora da curva. Talvez até dê pra dizer que a única vez que a série Super apareceu como salto intergeracional foi pra responder a um avanço da AMD que não era tão esperado pela NVIDIA. Ao menos, não no momento da largada da série 2000. Pra NVIDIA, o RayTracing e o DLSS seriam features que as pessoas veriam como imprescindíveis mas não foi bem assim. A Série Super na geração 3000, seria portanto, uma opção da NVIDIA que está no forno seja para gerar mídia gratuita, seja pra competir com algum potencial produto que a NVIDIA veja como ameaçador. Entenda que “ameaçador” não é algo que literalmente a tire muito espaço, mas algo que simplesmente não deixe o produto dela pra uma faixa especifica de preço ser o melhor. A NVIDIA sempre quer ter o Melhor Produto! Raros são os casos em que ela se permite estar por baixo na competição. E as Super vêm nesse diapasão: garantir mídia gratuita com refresh no meio das gerações (meio que a lá iPhones S) e se reposicionar com fins em assegurar os melhores preços por performance. Mas quais produtos a NVIDIA poderia estar vendo no horizonte para competir? Bem, inicial, pública e oficialmente, a Intel já deixou claro sua concorrência com a NVIDIA. Fez questão de explicitar que o XeSS chega pra competir com o DLSS, sem precisar de tempo de evolução para poder entregar algo como a NVIDIA demorou pra entregar (DLSS 1.0 vs DLSS 2.2). Anunciou que suas GPUs de Desktop virão no processo N6 da TSMC (6nm) que oferece 18% de ganhos de densidade de transistores em comparação com o de 7nm da própria TSMC - que já é melhor que os 8nm SAMSUNG da NVIDIA RTX 30. Salientou que vai lançar sua linha de produtos no primeiro trimestre de 2022. Em outras palavras, demonstrou que veio pra tomar mercado. A especulação nos fala em placas de performance até a casa da RTX 3070, escalonando daí pra baixo, numa faixa em que a quantidade de clientes é maior e mais fiel ao custo benefício e não a ganhos minoritários não importando o preço. As Intel Arc, como foram anunciadas as GPUs Intel de primeira geração com arquitetura Alchemist, terão direito a RayTracing via hardware e XMX (os tensor cores da Intel), suporte a todas as últimas tecnologias do D3D12 Ultimate (temporal feedback, mesh shaders, variable rate shading). Diante de tudo isso, a NVIDIA pode sim, estar preparando uma série super pra tentar ofuscar o lançamento da Intel. Há quem diga, também, que a AMD, através de sua linha de produtos RADEON, já poderia usar o mesmo processo da Intel de 6nm para lançar um refresh de sua série RX 6000, com fins em competir num mercado mais intermediário. (Aliás, AMD, porque você sempre será referência em refresh?)

Se a AMD lançar uma placa como a RX 6800 - que compete hoje com a RTX 3070 - em um processo mais eficiente e econômico, poderia trazer o mesmo design de chip mas renomeado para RX 7600 XT ou 7700XT, por exemplo e competir de igual para igual com a Intel nesse patamar de performance por preço. A NVIDIA, por conseguinte teria que reposicionar a RTX 3070 Super em um patamar de preço menor, afetando toda a linha não Super em precificação. Quem é cliente da NVIDIA sabe que para eles isso não é problema.

Porém, cabe ressaltar que, normalmente, é de se esperar que a diferença de performance de uma RTX normal pra uma RTX Super seja de 10% (bem aos moldes de 2060 Super, 2070 Super e 2080 Super). Perceba que a 3060 Super com 10% a mais de performance que a 3060 não chega na 3060Ti, mas chega na 6600 XT. A 3070 com mais 10% de performance não chega na 3080 mas chega na 6800. Só que a partir da 3080, o negócio começa a ficar cobrindo um espaço meio curto de performance por preço. Não tem muita margem sobrando pra trabalhar ganhos. Margem Pra lucro, sempre é muito maior aí nesse segmento. Mas ganhos de performance, não. Inclusive, há rumores até de uma 3090 Super que dificilmente conseguiria render 10% acima da 3090. Estamos falando de especificações vazadas de 256 Cuda Cores a mais no TU102, partindo de 10496 para 10752.

Essa é exatamente a mesma diferença entre os Cuda Cores da 3080Ti pra 3090. E veja o quão a diferença entre elas pode até ser mensurável mas é imperceptível pra quem tá jogando. A memória seria mais rápida, com 21Gbps de taxa de transferência, porém, esse é justamente o ponto de onde possivelmente a NVIDIA mais vai conseguir extrair performance de fato. A equipe GeForce deve tentar espremer o consumo até o limite do limite pra conseguir mais um tantinho dando adeus à eficiência energética em troca de pouca diferença. No acumulado dessés três fatores, teremos um ganho irrisório com um consumo muito maior. A 3070Ti não te remete a isso? Mas pra você ver o quão esse meio hoje se encontra em uma guerra fria de vazamentos - que mais parecem recados cuidadosa e friamente jogados na mídia pra provocar o concorrente - já há rumores de uma AMD RX 6900 XTX com velocidades de memória maiores. Apesar de pessoalmente achar que essa placa não existe, não seria má ideia - a depender, claro do preço e da performance por watt. As tais memórias mais rápidas poderiam proporcionar um ganho para RX 6900 maior do que normalmente daria em uma placa NVIDIA, já que o maior gargalo do chip dessas placas RDNA2 está justamente na falta de largura de banda de memória real principalmente em 4K, resolução em que o Infinity Cache rende bem mas não como deveria, já que roda com menor eficiência em comparação a resoluções 1440p e 1080p e não há como negar o potencial que o Infinity Cache teria se fossem implementadas CIs de GDDR6X topo nas placas RX 6000! 2022 promete. Mas promete como essa geração prometia: muitos ganhos de performance por preço dada a concorrência, mas infelizmente os vários fatores externos e concomitantes já sabidos por vocês, seguidores do canal, não permitiram que as pessoas apreciassem o salto que essa geração atual proporcionou. Vamos torcer pra que as coisas mudem em 2022 e possamos curtir o ineditismo de termos 3 players de peso no mercado de GPUs desktop gamer.